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· 4 min de leitura

Um food truck, uma chapa e um pastel

O Império do Pastel começa com o menor negócio possível e termina numa holding de alimentos. Este é o jogo que estamos fazendo, e por que ele é assim.

Todo jogo idle começa pequeno, mas quase nenhum começa honestamente pequeno. O nosso começa com quatro reais no caixa — exatamente o preço de um pastel — e com um food truck parado numa esquina. Não há bônus de boas-vindas disfarçado de generosidade, nem um tutorial de dez minutos antes de você poder tocar em alguma coisa. Você toca na chapa, frita um pastel, vende. É isso, e é o suficiente.

O que é um jogo idle, se você nunca jogou um

É um jogo sobre um negócio que continua funcionando quando você não está olhando. Você começa fazendo tudo à mão, ganha o bastante para comprar quem faça por você, e a partir daí o seu trabalho deixa de ser produzir e passa a ser decidir: em que investir agora, o que deixar para depois, quando recomeçar tudo em troca de ficar permanentemente mais forte.

O gênero tem fama de ser um jogo de esperar. Não é bem isso. É um jogo de escolher o próximo gargalo — e a graça está em ver o número que era impossível há vinte minutos virar troco.

Por que um food truck de pastel

Porque a escada existe de verdade, e todo mundo aqui já a viu subir.

A barraca de pastel de feira é o negócio brasileiro de entrada por excelência: baixo capital, muita mão, margem apertada. Dela sai o food truck, do food truck sai o ponto fixo, do ponto fixo sai a franquia — e, se a coisa der muito certo, sai a fábrica de congelado que vende para o supermercado onde o dono comprava a farinha. São doze produtos nessa escada, e o último se chama Império Gastronômico porque a essa altura já não é sobre pastel.

Escolhemos isso em vez do de sempre — a mina de ouro, a fazenda medieval, a nave — por um motivo simples: aquilo não é lugar nenhum. Uma praça de alimentação é. O jogo é em português e em inglês, mas ele é brasileiro nos dois.

A chapa é o coração da coisa

A decisão de desenho mais importante do jogo é esta: produto não rende por segundo, produto rende por ciclo. Cada um tem uma chapa própria, e a chapa leva um tempo para esquentar, fritar e sair. Enquanto ela roda, você vê a barra andando.

Isso muda tudo, porque cria uma coisa que jogo idle normalmente não tem: um momento. O pastel de feira fecha o ciclo em segundos, e no começo você fica ali, tocando uma comanda atrás da outra, sentindo o negócio girar na sua mão. Não é decoração — é o único jeito de ganhar dinheiro antes do primeiro gerente.

E é por isso que contratar o primeiro gerente é o marco que mais medimos. Ele custa caro, chega em poucos minutos, e no instante em que você fecha a contratação a chapa começa a girar sozinha. Aquele produto sai da sua mão para sempre. É a primeira vez que o jogo trabalha por você, e a partir dali ele nunca mais para — inclusive com o celular no bolso.

Sem conta, sem login, sem servidor nosso

Uma coisa que decidimos cedo e que não vai mudar: o jogo é seu e roda no seu aparelho.

Não há cadastro. Não há login. Não há um servidor nosso guardando o seu progresso, porque não há servidor nosso, ponto. O save é um arquivo no seu celular; se quiser um backup, ele vai para a sua conta do Google Play Games, não para a nossa. Abrir o jogo no avião funciona igual a abrir em casa.

Isso custa alguma coisa — não dá para ter ranking global nem sincronizar entre dois aparelhos sem a nuvem do Google —, e mesmo assim é o lado certo de escolher. Um idle é um jogo que acompanha meses da sua vida. Ele não devia depender de a nossa infraestrutura continuar existindo.

E agora

O jogo está pronto e em preparação para a Google Play. Ele é grátis, funciona offline, e está em português e inglês.

Nos próximos posts eu abro a máquina: como a chapa, os gerentes e os marcos se encaixam, e o que ainda falta entre o jogo que já roda aqui e o botão de instalar que você vai apertar.

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