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· 3 min de leitura

O que sobra quando você recomeça do zero

Prestigiar apaga o caixa, as unidades e as melhorias. Este post mostra o que fica: pontos permanentes, gerentes e a sua reputação.

Depois de um bom tempo de jogo, o Império do Pastel te oferece um botão que apaga o seu dinheiro, as suas unidades e as suas melhorias. Aceitar é a coisa certa a fazer, e este post é sobre por quê.

O que o prestígio apaga, e o que ele devolve

Some o caixa, somem as unidades de todos os produtos, somem as melhorias compradas. Fica um número novo: pontos de prestígio, e cada ponto vale +2% de produção para sempre, em todas as partidas seguintes.

Uma coisa não some, e ela é decisão nossa: os gerentes ficam. Você recomeça sem dinheiro, mas com a estrutura montada — foi o que expliquei no post sobre como o império cresce sozinho. Cobrar de novo pelo tempo que você já pagou uma vez seria alongar o jogo, não aprofundá-lo.

A conta é uma raiz quadrada, e é aí que está o desenho

Os pontos saem da raiz quadrada do que aquela partida faturou. Isso tem uma consequência que vale dizer em voz alta: faturar quatro vezes mais numa mesma partida rende apenas o dobro de pontos.

É de propósito. Sem a raiz, a estratégia ótima seria esticar a primeira partida indefinidamente, e o jogo viraria uma conta de paciência. Com ela, chega um momento em que a partida seguinte — mais rápida, com o bônus valendo desde o primeiro segundo — rende mais que continuar nesta. O jogo te empurra para a frente em vez de te prender.

Existe também um piso: só dá para prestigiar a partir de cem pontos. Prestigiar cedo demais te deixaria com um bônus pequeno e uma partida inteira pela frente, e isso é uma armadilha que um jogo não deveria deixar você pisar.

Quando isso acontece — medido, não estimado

Aqui a resposta não é impressão nossa. Existe um simulador que joga a partida inteira, do primeiro pastel ao prestígio, em poucos segundos, e ele roda a cada mudança que a gente faz no jogo.

O número de hoje: o primeiro prestígio viável cai em torno de treze horas de jogo, dentro de uma janela obrigatória de dez a dezesseis horas. Se uma mudança empurra esse número para fora da janela, a regra aqui é mexer no jogo, nunca na meta — meta que se ajusta para ficar verde não mede nada.

O trilho que o prestígio não toca

Além dos pontos, existe um segundo progresso que não é apagado: a reputação.

Ela sobe por acontecimento, nunca por tempo parado, e cada acontecimento vale um tanto diferente: comprar uma unidade vale pouco, cruzar um marco vale mais, desbloquear uma conquista mais ainda, contratar um gerente mais ainda — e prestigiar é o que mais vale de todos, de longe. O jogo paga bem justamente o gesto que parece perda.

Cada nível de reputação devolve duas coisas: dinheiro proporcional ao que a partida já faturou, para você não recomeçar do zero absoluto, e mais um pedaço de produção permanente. São quarenta níveis, e cada um custa 28% mais que o anterior — os primeiros chegam rápido, os últimos são de quem joga há meses.

Por que um jogo pede que você jogue de novo

Um idle sem prestígio tem fim: uma hora o próximo produto custa mais tempo do que devolve, e não há mais o que fazer. O prestígio transforma esse fim em começo. A segunda partida percorre numa tarde o que a primeira levou o dia inteiro para percorrer, e a terceira é mais rápida que a segunda.

O melhor teste disso é o mais simples: a primeira vez que você prestigia, dá um frio na barriga. A segunda, você já está procurando o botão.

Se quiser ver por onde essa curva passa, escrevi sobre os doze produtos, um por um.

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